18/10/2010


Síntese da Aula/ Síntese reflexiva:

 

Num primeiro momento foi delineado o conteúdo programático para as próximas aulas. Este assenta, em na próxima quinta-feira (dia 21/10/2010) sintetizar em grupo as principais ideias e dificuldades após o visionamento do filme, e na próxima segunda-feira (dia 25/10/2010) debater com os demais grupos e apresentar a nossa perspectiva do filme, de acordo com a teoria que nos ampara a leitura deste. Para além disso, o Professor Nuno Corte Real, deixou uma indicação relativamente à forma como devemos as fichas de leitura inerentes ao nosso portfolio, estas devem ter em consideração os ensinamentos que podemos retirar de determinado livro para a prática como professores, fazendo se possível o paralelismo para a psicologia da educação. 

Num segundo momento seguiu-se o visionamento do filme intitulado: Quanto vale ou é por quilo? Podemos, tendo em conta este, deixar alguns pontos-chave úteis para a leitura orientada do mesmo:

1)    O filme inicia-se em 1799, onde a escravatura era uma realidade. Demonstrando alguns pormenores (chocantes) vivenciais, que subjugam o ser humano, na verdade acepção da palavra.

2)    Remetendo-nos posteriormente para a actualidade, para uma falsa reabilitação social.

3)    Voltando a um período de escravatura, observa-se uma relação baseada no produto.

4)    De volta à actualidade, observa-se um fenómeno, apoiado na dualidade: nova realidade e “escravidão” em diferentes formas.

5)    O contexto muda, mas as vivências são, de todo, semelhantes. O indivíduo vê-se ao espelho, mas em situações diferentes, a imagem espelhada é reflexa do “eu” de outrora.

O filme não foi visto na totalidade, tendo ficado a restante parte para a próxima aula. Contudo podemos tirar algumas conclusões úteis para a leitura do filme, de acordo com a Psicologia do Desenvolvimento (Jean Piaget), sendo estas:

1)    Observa-se um ajudar que desajuda, ou seja, liberdade é um conceito ambíguo e polissémico (“escravidão dos tempos modernos”).

2)    A assimilação e acomodação são paralelas ao quadro de aquisições.

3)    Consumir, o produto, torna-se basal. O processo é acessório (com paralelismo a determinados momentos históricos).

4)    Trata-se de absorver das relações algo que não é a essência destas.

5)    Existe um produto visível (com consequências a curto prazo, o “agora”) e outro não visível (que aparece a longo prazo, fruto de acomodação).

6)    Estabelecem-se relações de dominância inerentes ao processo de assimilação.

 

Título do Filme: Quanto vale ou é por quilo?

 

"O que vale é ter liberdade para consumir, essa é a verdadeira funcionalidade da democracia"

(Lázaro Ramos, actor que contracenou neste filme)

 

Num primeiro momento, iremos abordar o conteúdo inerente ao filme, de um ponto de vista neutro, sendo esta abordagem preponderante para uma compreensão substanciada e sustentada na teoria, à qual nos dedicamos e colocamos o ónus desta leitura.

Tendo como premissa contextualizar o filme, podemos afirmar se situava em vários momentos históricos, desde 1799 (onde a escravidão está presente) até a sociedade contemporânea. Este filme pretende enfatizar uma determinada perspectiva (infelizmente uma realidade conjuntural), contudo fá-lo através de várias vivências, de diferentes ponto de vista, de uma pluralidade de espectros, que contudo se restringem a uma dimensão, que posteriormente iremos abordar. Esta ideia é basal e escalpelizada intrinsecamente neste filme. Sendo este de certa forma, e com um grau maior ou menor de aplicabilidade, intemporal.

Esta realidade espelhada remete-nos, para um ajudar, desmembrado da verdadeira acepção da palavra, para uma delimitação do desenvolvimento. Neste filme, a liberdade (tendo em conta o período da escravidão) é um conceito polissémico e ambíguo. Observa-se de certa forma a “escravidão” dos tempos modernos, sendo esta imagem chocante e marcante, quando compara à escravidão. De certa forma, este paralelismo torna-se útil para chegar ao quadro valorativo do público em geral, e demonstrar a realidade vigente, esta muitas vezes camuflada. Consumir é o propósito das relações, subjacentes a diversas inverdades, o produto é essencial sendo o processo acessório, até vítima de desprezo. Absorve-se das relações aos mais diversos níveis, algo que não é a essência destas, somente o superficial, a súmula do resultante. Todas estas ramificações inerentes a um processo de dominância encoberta, menos brutal mas paralelamente danosa à verificada em outros momentos históricos.

Tendo como suporte esta contextualização, e a teoria que nos ampara a leitura do filme (Psicologia do Desenvolvimento – Jean Piaget) podemos afirmar que o indivíduo apresenta um desequilíbrio perante o universo espectral, sendo as assimilações (em todos os casos e personagens intervenientes) paralela ou quadro de aquisições que estavam presentes e vigavam até então, ou seja, muda o contexto, mudam ligeiramente as vivência, mas o quadro basal de envolvência com o meio e inter-relacionamento proveniente dele é paralelo, subjacente e concomitantemente o reverso de uma moeda, que persiste a não ser alterada por uma nova, diferente e característica de uma mudança clara e significativa de paradigma.